Poucas peças de mobiliário atravessaram um século mantendo a mesma força visual e relevância que a Poltrona Wassily. Com sua estrutura tubular de aço, linhas geométricas e grandes áreas de couro suspensas, ela se tornou um dos símbolos mais reconhecidos do design moderno.
Mas por trás da aparência minimalista existe uma história de inovação e de uma mudança radical na forma de pensar o mobiliário — a Wassily nasceu de uma pergunta: e se os mesmos materiais usados na indústria pudessem virar móveis?
Marcel Breuer e a Bauhaus
A história começa na década de 1920, dentro da Bauhaus, uma das escolas de arte, arquitetura e design mais importantes já criadas. Foi lá que o designer e arquiteto húngaro Marcel Breuer (1902–1981) passou a explorar o uso de tubos de aço na construção de móveis. Em 1925, ele desenvolveu o primeiro modelo do que mais tarde ficaria conhecido como Wassily Chair, originalmente identificado como Modelo B3.
Na época, a maioria das poltronas era volumosa e pesada, construída em madeira e estofamento abundante. Breuer seguiu na direção oposta: em vez de esconder a estrutura, transformou-a no próprio desenho da peça — um resultado composto essencialmente por linhas, planos e espaços vazios.
A inspiração veio de uma bicicleta
Uma das histórias mais conhecidas sobre a criação da Wassily envolve a bicicleta do próprio Breuer. Ele se impressionou com a estrutura tubular de aço das bicicletas — leve, resistente e adequada à produção industrial — e se perguntou: se um tubo de aço podia virar a estrutura de uma bicicleta, por que não também de uma cadeira? Essa ideia ajudou Breuer a criar uma linguagem totalmente nova para o mobiliário, na qual o aço deixa de ser um componente escondido e passa a fazer parte da estética da peça.
Uma poltrona que parece flutuar
Uma das características mais fascinantes da Wassily é justamente aquilo que ela não tem: sem grandes volumes de espuma, sem ornamentos, sem estrutura pesada. Existe apenas uma armação de tubos metálicos sobre a qual são suspensos os elementos que formam assento, encosto e braços — criando a sensação de que o couro flutua dentro da estrutura de aço. Cada linha tem uma função, cada dobra do tubo participa da estrutura, cada faixa do revestimento contribui para a ergonomia e para a identidade visual da peça.
Por que o nome Wassily?
O nome original do projeto era simplesmente B3. "Wassily" veio depois, em referência ao pintor russo Wassily Kandinsky — colega de Breuer na Bauhaus, que teria demonstrado grande interesse pela cadeira quando a conheceu. Décadas depois, quando a peça voltou a ser produzida comercialmente, o nome Wassily acabou associado definitivamente ao modelo.
Do experimento à peça de design
O primeiro modelo surgiu em 1925, mas a trajetória comercial da Wassily passou por diferentes fases: produzida inicialmente na Alemanha, ganhou novo fôlego décadas depois quando o designer e empresário italiano Dino Gavina trabalhou para relançá-la — um renascimento que ajudou a transformar a cadeira em um ícone internacional. Mais tarde, a Knoll incorporou a produção e segue associada à fabricação autorizada da peça, hoje presente em importantes coleções de museus.
O couro como parte da identidade da peça
Embora a estrutura metálica seja a primeira coisa que se nota, o revestimento é outro elemento fundamental da personalidade da Wassily. As faixas que formam assento, encosto e braços não são um acabamento colocado por cima — elas fazem parte da própria linguagem visual da cadeira, acrescentando textura e presença ao lado da frieza precisa do metal. Com o tempo, no entanto, esse revestimento se desgasta: costuras se deterioram, o couro perde suas características, e a peça deixa de ter a aparência que tinha originalmente. É aí que a restauração ganha papel fundamental.
Restaurar também é preservar história
Uma peça como a Wassily não é apenas um móvel — ela representa um momento importante da história do design. Por isso, restaurá-la exige mais do que trocar um revestimento: é preciso compreender suas proporções, respeitar suas linhas e trabalhar o couro de um jeito que mantenha a identidade criada por Marcel Breuer há quase cem anos. Na A.S. CUSTOM LEATHER, é assim que enxergamos esse trabalho — cada corte, cada furação, cada costura e cada acabamento precisam conversar com a estrutura original da poltrona.
Um clássico que continua atual
Talvez a maior prova do sucesso da Wassily seja o fato de que, quase um século depois, seu desenho ainda parece contemporâneo. Isso acontece porque Breuer não criou algo baseado em tendências passageiras, mas uma solução baseada em proporção, função, materiais e simplicidade — minimalista sem ser simples, industrial sem perder elegância, histórica sem parecer ultrapassada.
Para nós, trabalhar com uma peça como a Wassily é participar de uma pequena parte dessa história — unindo cada poltrona que chega para restauração à experiência artesanal construída ao longo de mais de 30 anos trabalhando com couro. A.S. CUSTOM LEATHER: tradição em couro, feita para permanecer.